Projeto na Estrutural precisa de apoio para inaugurar a tão esperada creche

Com a ajuda de voluntários e da própria comunidade, a Casa de Paternidade, na Cidade Estrutural, ajuda crianças e adolescentes a entenderem o seu papel na sociedade

A solidariedade e o respeito ao próximo criam um ambiente aconchegante na Cidade Estrutural. Nesse intuito, entre conversas despretensiosas, cresceu o projeto Casa de Paternidade, na comunidade Santa Luzia. E com o foco muito bem delimitado: as crianças. Quatro anos se passaram, o número de meninos e meninas aumentou, as mães iam só buscar, mas acabaram ficando, as crianças viraram adolescentes e, hoje, cerca de 90 famílias são abraçadas pela ideia de repensar a infância e o empoderamento das pessoas para uma perspectiva de futuro melhor. Como os planos não param, em janeiro será inaugurada a creche da Casa de Paternidade, para acolher até 50 bebês de mães da comunidade.

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Em meio ao lamaçal, a Casa de Paternidade é um oásis para crianças, adolescentes e adultos, como Polliana (abaixo), que desde 2011 frequenta o local e, hoje, leva os filhos

A lama atrapalha, mas não impede o trabalho. Nem que, para isso, o espaço onde o projeto funciona tenha que ser lavado três vezes por semana. As mães se encarregam do serviço, até porque as atividades por lá começam no domingo, no fim da tarde, com o Monitoramento Jovem de Política Pública, o MJPop, para os adolescentes. Também ocorre na quarta-feira à noite. Em um dia, o papo é sério, tem discussão de propostas para a casa. No outro dia, apenas lazer: filme, gincana e dinâmicas de grupo.

Hoje, os adolescentes são apenas monitorados. Conseguiram a tão sonhada “independência” — uma das missões do projeto. A ideia é ajudar a comunidade a perceber sua capacidade para, depois, ela caminhar sozinha. “Entramos aqui como colonizadores, achando que sabíamos o que era melhor para eles. Passamos, hoje, para colaboradores, vendo e fazendo com que eles vejam que cada um é uma potência. Queremos empoderá-los para que, daqui a um tempo, não sejamos mais necessárias”, explicou a voluntária e criadora, a técnica judiciária Aline Albernaz, 34 anos.

Sábado é dia do Educamar, um subprojeto dentro do A criança é uma pessoa no qual são feitas atividades externas: visitas a museus, exposições e teatros. Como os recursos são escassos, a equipe tenta mapear os passeios de baixo custo ou totalmente gratuitos. Para diminuir ainda mais os gastos, as mães ajudam na produção de pães de queijo e suco. A falta de dinheiro é, justamente, o que vem preocupando os voluntários. A creche, prevista para ser inaugurada em janeiro, ainda não está concluída. Falta uma das partes mais importantes, o quintal, com área verde e espaço para atividades ao ar livre. E não há mais recursos. “Não temos nenhuma renda ou fonte frequente de doação, que seja todo mês. As pessoas se mobilizam por um pedido específico, vez ou outra, nas redes sociais”, conta Aline.

Colaboradores
As poucas colaborações são o que, de fato, ajuda a Casa de Paternidade. A exemplo de Newton Pereira de Souza, 30, e Késsya Siqueira da Silva, 22. Os dois moravam fora da Estrutural, conheceram o projeto e se mudaram para a comunidade de Santa Luzia. A ideia era se doar apenas ao projeto, mas o amor surgiu. O casamento será em julho do ano que vem. “Meu coração ficava inquieto de pensar que muitos jovens estavam se perdendo aqui para as drogas e, consequentemente, para o crime. Pois eles veem na tevê aquilo que não podem comprar, mas dão um jeito de conseguir”, lamentou Newton. O voluntário, inclusive, deixou o antigo emprego para trabalhar apenas à noite e ter as tardes livres para a Casa de Paternidade. “Aqui não é para ser assistencialista. No longo prazo, veremos as mudanças. Melhorias no cuidado uns com os outros. Um trabalho pontual para criar uma consciência de que não vale a pena investir nas coisas ruins”, afirmou.

Para a noiva, Késsya, estudante de serviço social na Universidade de Brasília (UnB), era imprescindível mudar para Santa Luzia. Somente lá, segundo ela, eles sentiriam na pele a dor da comunidade. “Entendi que era importante estar aqui, vivenciar o dia a dia deles, criar um sentimento de pertencimento. De que aqui não existem inimigos, mas pessoas que precisam de amigos para ajudar”, comentou a jovem. Os dois auxiliam nos trabalhos da casa, monitoram os jovens e crianças e ajudam na rotina do projeto. “A ausência do estado faz com que a demanda seja ainda maior, pois falta tudo, até saneamento básico. Se tivesse pelo menos o básico, como serviço de saúde, por exemplo, as coisas seriam mais fáceis”, comentou a advogada e voluntária Thaysa Gonçalves, 32 anos.

Polliana Feitosa Teixeira, 27, é um dos frutos do projeto. Tem dois filhos atendidos pela casa e está se qualificando para trabalhar na creche. Segundo ela, além de se ajudar, ela consegue fazer algo pelo próximo por meio do serviço voluntário. Ela frequenta o lugar desde que abriu, em 2011. “Conseguimos mudar a visão de onde moramos. Antes, só víamos isso aqui como um ambiente de drogas, adolescentes grávidas, e isso já mudou um pouco, porque, agora, em vez de ficarem na rua procurando coisa errada, eles têm um compromisso”, observou.

Quer ajudar?
Todas as doações são bem-vindas: roupas, calçados, produtos de higiene e, principalmente, alimentos.

Contatos:
Fernanda (9295-3635);
Aline (8641-0461) e
Newton (8209-1553).

fonte: Correio Braziliense

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Orfanatos e creches sofrem por falta de recursos ao dependerem apenas de doações

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Há poucos quilômetros da Capital, crianças e adolescentes vivem à margem da sociedade, abandonados por seus progenitores ou deixados em creches durante todo o dia para que os pais possam trabalhar. …

Os orfanatos e creches é a única opção para quem foi desamparado ou não tem condições de pagar uma creche particular para seus filhos.

O Orfanato Cristo Vivo, fundado em 1985, localizado na cidade de Valparaíso, é um dos exemplos de instituições que sobrevivem apenas por meio de doações, muitas vezes incertas. O local abriga cerca de 110 crianças e adolescentes, na faixa etária entre 5 a 15 anos. Lá se desenvolvem atividades nos períodos matutino e vespertino, como: artesanato, informática, cabeleireiro, costura. No entanto, nada é voltado para a área educacional. “Não temos nenhum vínculo governamental. Não recebemos nenhuma verba do governo. Às vezes temos um pouco de suprimento. Em outras ocasiões, ficamos sem receber nada. Dependemos apenas de doações voluntárias”, afirmou Alex Lucas, secretário administrativo do orfanato.

Situação mais precária é a da Comunidade Católica Azinheiras da Justiça, que é administrada pela irmã Bernarda Bastos, uma leiga consagrada, que dedica sua vida aos menores abandonados e às mães que foram desamparadas por seus maridos. “Começamos nosso trabalho em 2002 com as crianças, mas logo após passamos a acolher mulheres que estavam grávidas e não tinham para onde ir. Com o ingresso das mulheres em nossa comunidade, criamos a Casa Maria Madalena, uma filial que cuida dessas mulheres”, afirmou irmã Bernarda. Ainda de acordo com a irmã, já houve vários períodos em que faltaram mantimentos na comunidade. “Já tiveram dias que chegou a faltar até arroz e feijão. Minha esperança é que estamos firmando um convênio de parceria com a Prefeitura de Valparaíso, o que vai ajudar bastante”, finalizou a religiosa.

Diante desse cenário de abandono e carência, nasceu o Grupo Solidário, fundado e coordenado por Diego Assis, um jovem de 26 anos, que teve a ousadia de formar um grupo de voluntários para ajudar as crianças carentes do Entorno. O grupo já conta com 465 membros em uma comunidade do Facebook, além de já ter sido entrevistado pela TV Anhanguera, filial da Rede Globo em Luziânia. “Nossa missão é ajudar os orfanatos, creches e bairros carentes. Não temos nenhuma ajuda política ou algo do tipo. Contribuímos principalmente em datas especiais, como na Páscoa e no Dia das Crianças, com alimentos e brinquedos”, declarou Diego.  O coordenador do Grupo Solidário revela sua gratidão em ajudar as crianças. “É maravilhoso vermos o sorriso estampado no rosto das crianças quando são presenteadas”, concluiu.

Contato para doações: INSTITUIÇÃO TELEFONE

Comunidade Católica Azinheiras da Justiça

(61) 3629-6207 ou (61) 9158-6611

Orfanato Cristo Vivo

(61) 3629-2806

Casas Lares Rebecca Jenkins

(61) 3625-2312

Casa de Moisés

(61) 3618-5322

Lar das Crianças André Luiz

(61) 3621-1349

Orfanato Coração de Maria

(61) 3620-0097

Fonte: Fred Lima – Portal Guardian Noticias