Joaquim Barbosa: A pressão das grandes bancas

A decisão da OAB-DF de colocar obstáculos à reativação da carteira de advogado do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa ocorreu por pressão de figuras ilustres de algumas das bancas mais caras do país. Nas redes sociais, a OAB-DF se transformou em alvo de desaprovação por acusar o ex-ministro de falta de “idoneidade moral”

A decisão da OAB-DF de colocar obstáculos à reativação da carteira de advogado do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa ocorreu por pressão de figuras ilustres de algumas das bancas mais caras do país. O pedido ficou parado quase dois meses na OAB. O ex-ministro entrou com o requerimento de registro na ordem assim que se aposentou, em agosto, mas ainda não obteve autorização. Ele alega notório saber jurídico para dispensar o exame da OAB, prática comum, para quem exerceu altos cargos na magistratura. O processo, no entanto, empacou. Barbosa sempre foi muito condenado pela classe pelos embates com advogados no plenário do STF…

 

O posicionamento da OAB gerou muitas críticas, especialmente entre integrantes do Ministério Público — onde Joaquim começou a carreira jurídica. Nas redes sociais, a OAB-DF se transformou em alvo de desaprovação por acusar o ex-ministro de falta de “idoneidade moral”. 

Fonte: Correio Braziliense. Por ANA MARIA CAMPOS e HELENA MADER

SAGA FAP-DF (EXCELÊNCIAS DO CRIME)

O Ministério Público do Distrito Federal denunciou o deputado distrital Cristiano Araújo (PTB) por fraude à Lei de Licitações. O caso será analisado pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça, já que o parlamentar tem foro privilegiado.

 

cristianoDepois da conclusão do inquérito da Polícia Civil que investigou um suposto esquema de concessão fraudulenta de bolsas da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF), o MP decidiu oferecer ação penal contra Cristiano Araújo e imputou o crime nove vezes ao deputado. …

A estudante de Direito Tatielly Valadares, umas das beneficiadas

A estudante de Direito Tatielly Valadares, umas das beneficiadas

Investigações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) e interceptações telefônicas apontaram evidências da participação do distrital na contratação de pessoas sem qualquer qualificação para receberem bolsas de pesquisa de até R$ 4 mil, em desrespeito aos critérios do edital. Jovens de boa aparência ganhavam a mesada sem sair de casa.

Desmembramento

O desembargador José Jacinto Costa Carvalho será o relator do caso. O deputado Cristiano Araújo foi secretário de Ciência e Tecnologia entre outubro de 2011 e abril de 2012 e, segundo investigações,  teria sido o responsável pela indicação de nove das contempladas com as bolsas. O processo deve ser desemembrado: além de Cristiano Araújo, há outros 31 denunciados. Mas o Ministério Público pediu que pelo menos seja mantido no processo do distrital os antigos diretores da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP) também denunciados.

Sumiço de processo

As denúncias que envolvem Cristiano Araújo também estão sob apreciação do Tribunal de Contas do DF. No mês passado, os conselheiros determinaram que a FAP informe as medidas tomadas para apurar o possível extravio do processo referente ao edital 09/2012, que, segundo a Polícia Civil, foi fraudado. O distrital nega as indicações e o envolvimento no caso.

Fonte: Correio Braziliense – 05/01/2014

 

Entenda o caso!

 

SAGA FAP-DF (LORDS OF CORRUPTON)

Gravações revelam evidências de que Gim Argello, líder do PTB no Senado, era quem chefiava o esquema de fraudes em bolsas de pesquisas no governo de Brasília

Senador biônico, Gim Argello

Uma investigação do Ministério Público do Distrito Federal e da Polícia Civil do DF sobre fraudes na concessão de bolsas de pesquisas pela Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP), vinculada ao governo de Brasília e controlada pelo PTB até o ano passado, revela evidências de que o senador Gim Argello, líder do partido no Senado, era o mandante do esquema. A descoberta está em escutas telefônicas, feitas com autorização judicial e obtidas por ÉPOCA, nas quais funcionários da fundação, a maioria dirigentes do PTB, detalham as fraudes – e o patrocínio político de Gim para que elas pudessem acontecer. …

Um dos diálogos mais reveladores transcorreu no dia 26 de outubro do ano passado. Nele, Gustavo Tamm, um ex-funcionário da FAP e dirigente da executiva nacional do PTB, afirma a um interlocutor de nome Adriano: “Não dá para esconder aquele esquema ali…Onde é que houve uma coisa de diferente ali? Na seleção. Quem selecionou foi a Vera, a mando do Renato, do senador (ver documento abaixo)”. Segundo investigadores, “Vera” é Vera Moreira, funcionária da FAP, “Renato” é Renato Rezende, então presidente da fundação, também filiado ao PTB, e “senador” é ele mesmo: Gim Argello.

cristianoComo funcionava o esquema? Funcionários da FAP alertavam os escolhidos pelo PTB sobre as bolsas de pesquisa voltadas à Copa do Mundo de 2014, destinadas à elaboração de um banco de dados com as melhores empresas de Brasília para atender aos turistas no próximo ano. As bolsas renderiam entre R$ 2,5 mil e R$ 6 mil por mês. Os apaniguados do PTB orientavam os apadrinhados a montar os projetos de pesquisa de acordo com as especificações do edital. Depois, era só esperar a nomeação. A fraude foi confirmada após a Polícia Civil encontrar uma planilha em que apareciam os nomes dos beneficiados e as iniciais de seus padrinhos (ver documento). De acordo com a Polícia Civil, quem mais indicou – nove nomeações no total – foi o principal pupilo de Gim Argello na política brasiliense: o deputado distrital Cristiano Araújo. O partido? PTB. Duas testemunhas disseram à polícia que a seleção era um “processo de carta marcada”.

Procurada pela reportagem de ÉPOCA, a estudante de Direito Tatielly Valadares, umas das beneficiadas com a bolsa e indicada por Cristiano Araújo, segundo a polícia, disse que Renato Rezende a orientou a participar do processo de seleção após ter perguntado a Renato se sabia de alguma oportunidade de emprego. Tatielly disse à ÉPOCA que chegou a frequentar a FAP por dois meses. Perguntada sobre qual era o objeto da sua pesquisa, afirmou: “agora não me lembro. Era tanta correria. Deu um bloqueio tão grande de tudo o que aconteceu”. A estudante de enfermagem Thálita Oliveira também foi contemplada, de acordo com a Polícia Civil, por ser ex-mulher de um agente penitenciário filiado ao PTB.

Os contemplados pelas bolsas de pesquisa só não receberam o dinheiro porque Renato fora afastado do cargo no final de setembro após envolvimento em outra falcatrua: aliás, ele e outros petebistas chegaram a ser presos no final de 2012. A saída de Renato da FAP e a consequente demora em pagar os bolsistas trouxe preocupação à turma de Gim Argello. Eles temiam que a crise desembarcasse no Senado a partir do momento em que os bolsistas acionassem a Justiça para reivindicar os valores da bolsas.

Afastado da direção da FAP, Renato procurou a ajuda de Gim Argello para arranjar outro emprego. Em conversa interceptada pela polícia, no dia 25 de setembro do ano passado, entre ele e um aliado antigo de Argello, Renato afirma merecer uma nova oportunidade por ter poupado o grupo (ver documento abaixo). “Esse negócio ficou caro pra mim. Porque porra, não impliquei ninguém, só a mim mesmo. Tava fazendo tudo para ter um capital político pro grupo”, afirmou.

A estudante de Direito Tatielly Valadares, umas das beneficiadas

A estudante de Direito Tatielly Valadares, umas das beneficiadas

Outra interceptação, no mesmo dia, dá conta de que Argello receberia Renato no dia seguinte em seu gabinete no Senado para resolver o futuro profissional do aliado. No cardápio, duas opções para Renato. Um cargo na Petrobrás ou uma vaga no BRB, banco estatal do governo de Brasília. Sobre a possibilidade de um emprego na Petrobrás, Renato ficou entusiasmado: “Isso aí é filé demais”. Perguntado por ÉPOCA se havia visitado o gabinete de Argello, Renato afirmou: “Depois que saí da fundação eu estive com ele (Gim) no gabinete. Fui prestar contas. Fui dar um abraço nele. Dizer até logo e agradecer pela oportunidade”, disse. “Ele (Gim) disse que eu trabalhei para o partido, mostrei eficiência e tal. Queria saber se o partido precisasse contar comigo se eu estaria à disposição”. Em outra gravação, interceptada no dia 11 de outubro do ano passado, Renato conversa com Gustavo Tamm (aquele que afirmou que a seleção era feita a mando do senador). Renato diz ter ido ao gabinete do senador. Segue transcrição do diálogo feito pela polícia (ver documento abaixo): “Renato diz que o senador Gim falou que Renato é do partido e que vai tentar colocá-lo no governo federal”. Renato afirmou a ÉPOCA que trabalha atualmente em uma empresa de sua família.

Há um mês a Polícia Civil indiciou 10 pessoas pelos crimes de formação de quadrilha e fraude em licitação e encaminhou o relatório final da investigação para a Justiça de Brasília. No documento, os investigadores solicitam autorização para indiciar o deputado distrital Cristiano Araújo. A Justiça remeteu a documentação ao Ministério Público do Distrito Federal, que deverá apresentar uma denúncia contra os investigados. ÉPOCA apurou que Cristiano Araújo será chamado a prestar esclarecimentos à polícia. O MP poderá, ainda, se manifestar sobre o envolvimento do senador Gim Argello com a fraude. Se os procuradores entenderem que Gim fazia parte do esquema, poderão encaminhar o inquérito para a Procuradoria Geral da República (PGR). Isso porque Gim tem a prerrogativa de responder a processos no Supremo Tribunal Federal, uma vez que é senador.

Procurados por ÉPOCA, Gim Argello, Cristiano Araújo e Renato Rezende negaram participação na fraude. Gim disse ainda: “Não autorizei ninguém a falar em meu nome”. O senador afirmou ter recebido Renato Rezende em seu gabinete, mas nega ter ajudado Renato a arranjar emprego. Gim Argello nega também contar com cargos na Petrobrás ou no BRB.

Transcrição do áudio do dia 25 de setembro

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Por Murilo Ramos

Fonte: ÉPOCA.com – 06/07/2013
ENTENDA TODA A INCRÍVEL SAGA DE CORRUPÇÃO NA FAP – DF REVENDO TODOS OS SEUS CAPÍTULOS:

Episódio…

“TRILOGIA FAP-DF” JÁ VIROU SAGA – (DO UDF/CLDF PARA PAPUDA?)

Inquérito aponta que o distrital Cristiano Araújo teria participado de fraude em processo de seleção no qual a beleza parece fundamental

Deputado Cristiano Araújo

Deputado Cristiano Araújo

Com apelido de criança e jeitão de adolescente, o deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), de 30 anos, está longe de ostentar a pureza da infância. Um inquérito policial ao qual VEJA BRASÍLIA teve acesso na íntegra revela que Toddynho – a alcunha vem do seu hábito de tomar a bebida no intervalo das sessões legislativas – está metido em uma encrenca de gente grande. Há evidências da participação dele no esquema criminoso que fraudou o Programa de Bolsas de Pesquisas, Edital nº 9/2012, direcionado a estudos sobre empreendedorismo.

O projeto era coordenado pela Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP), subordinada à Secretaria de Ciência e Tecnologia do GDF. Entre outubro de 2011 e abril de 2012, Araújo foi o titular da pasta. O resultado do Edital nº 9 saiu em julho do ano passado, mas a seleção viciada teria ocorrido antes, durante sua gestão no governo. Em novembro de 2012, a Polícia Civil realizou a Operação Firewall II. Houve seis prisões, mais apreensão de computadores e documentos. Desde então, a Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Deco) colheu trinta depoimentos e conseguiu, com autorização da Justiça, fazer interceptações telefônicas.

O resultado das investigações está contido em 43 páginas, que reúnem nove testemunhos e a transcrição de onze escutas telefônicas, além de documentos que revelam o caminho da fraude e apontam a participação dos envolvidos. No organograma do crime, segundo a polícia, Cristiano Araújo estava no topo. Seria responsável pela indicação de nove dos 21 aprovados no concurso. Durante o processo, diz o inquérito, assessores de Araújo e dirigentes da FAP cuidaram para que a seleção fosse de fachada. Na base, estavam as pessoas escolhidas para as vagas de emprego. Várias delas são mulheres que tinham como principal atributo a beleza.

Uma planilha apreendida no computador de Luiz Fernando Raye Puppi de Lelles, coordenador do Edital nº 9 e amigo do então diretor-presidente da FAP, Renato Caiado de Rezende, é reveladora. Em uma coluna estão citados os “beneficiários” das bolsas de pesquisa. Em outra, chamada de “indicação”, as iniciais dos padrinhos políticos. A sigla CA aparece na frente de nove nomes.

CA quer dizer Cristiano Araújo, segundo afirmou aos policiais uma integrante da comissão de avaliação do Edital nº 9, Lucilane de França Carneiro. “(Ela) não pestanejou em reconhecer tal documento como sendo aquele elaborado antes mesmo da publicação do edital”, revela trecho do inquérito. A servidora contou que viu o papel sobre a mesa da sala de Dilermando Rodrigues, na época assessor especial de gabinete da FAP.

Lucilane ainda garante no documento que D é de Dilermando, RR é Renato Rezende (último nome de Renato Caiado) e GB é Gustavo Brumm, a quem Araújo designou subsecretário de Ciência e Tecnologia. Outro relato que denuncia a malícia dos gestores públicos é o da então superintendente de Difusão Científica e Tecnológica da FAP, Vera Lúcia Moreira. O presidente da fundação confiou pessoalmente a Vera a missão de “atender” e “orientar” as pessoas que seriam contempladas com vagas de até 4 000 reais. Segundo Vera, os indicados “tinham uma dificuldade enorme de elaborar o pré-projeto”. Mas, com a assessoria dela, todos tiraram nota 9, o que obviamente levantou suspeita e foi questionado pelos demais candidatos à época. A assessora Vera admitiu aos investigadores que recebeu em sua casa a candidata Thálita Assis, “para que fosse ajudada”. A loira de contornos estonteantes, estudante de enfermagem do UniCeub, é ex-namorada de Wagner de Souza Ferreira. Ele é agente penitenciário e por causa de seu contato com Dilermando, da FAP, teria emplacado não só a ex-namorada mas outros dois falsos candidatos no Edital nº 9. Na planilha elaborada com os nomes dos escolhidos, Thálita está associada à letra D, de Dilermando.

Já Tatielly Valadares Santos é uma das sete mulheres cujos nomes aparecem vinculados às iniciais de Cristiano Araújo. Há ainda dois homens relacionados a ele. Tatielly, ex-dançarina do programa Caldeirão do Huck, da Globo, disse em depoimento conhecer Renato Caiado e que, por intermédio dele, se inscreveu na seleção. Era estudante de direito do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), e teria pedido emprego a Renato Caiado, então reitor da UDF. Thálita e Tatielly são de Unaí e ambas receberam as orientações da superintendente Vera.

A partir dos flagrantes de irregularidades, o delegado-chefe da Deco, Henry Peres de Ferreira Lopes, pediu nove vezes o indiciamento de Cristiano Araújo, referente a cada uma das indicações políticas do deputado. Ele é enquadrado nos crimes de formação de quadrilha e frustração do caráter competitivo da licitação. “Encontramos evidências técnicas a partir de provas documentais, do Instituto de Criminalística, e testemunhais do robusto envolvimento dos citados no inquérito.” Dez gestores já foram indiciados. No caso do distrital, isso ainda depende de autorização do Conselho Especial da Magistratura. A Promotoria de Fundações do Ministério Público do DF acompanha o caso. Os candidatos foram preservados, já que houve cancelamento da seleção antes que eles recebessem dinheiro público.

Cristiano Araújo afirma que não teve acesso ao inquérito e que, por isso, não pode falar sobre o assunto. “Dizer que eu participo de quadrilha? Francamente, né?”, limitou-se a declarar.

CLIQUE AQUI E VEJA OS DOCUMENTOS DO INQUÉRITO.

Fonte: Veja Brasília / PCDF

SEM SUBORDINAÇÃO E PARTIDARISMO!

A  Ordem dos Advogados do Brasil do DF tem novo presidente desde o dia 1º de janeiro. O advogado Ibaneis Rocha Barros Júnior chegou fazendo barulho: já conseguiu a anulação das mudanças que o Governo do Distrito Federal fez na concessão de créditos do programa Nota Legal por meio de decreto.

ibaneisIbaneis Rocha foi eleito para o triênio 2013/2015 com o compromisso de defender as prerrogativas dos advogados, mas também de atuar em defesa dos interesses dos cidadãos.

Ele prega independência. “O advogado não deve subordinação a qualquer autoridade ou hierarquia”, afirma Ibaneis Rocha, que promete uma entidade mais forte e representativa. “É preciso que o advogado dê o exemplo de sua importância na comunidade, bem como de sua missão em defesa dos direitos do cidadão”, afirma.

O atual presidente da OAB-DF está preocupado com a escalada da violência e a proliferação das drogas no Distrito Federal. “Como representante da sociedade civil, a OAB-DF precisa se impor diante das autoridades constituídas, transmitindo-lhes a gravidade do quadro presente, além de cobrar soluções de forma firme e contundente. Cabe à OAB, por força legal e dentro de sua missão institucional, e aos advogados, por sua missão social, estarem presentes em todas as frentes de luta para exigir e buscar soluções diante dos desafios emergentes. É isso que enobrece a nossa profissão e torna a instituição tão respeitada perante a sociedade”, afirma. …

– Sua gestão começou quente. Já nos primeiros dias ganhou uma ação contra o Governo do Distrito Federal que pretendia mudar os critérios para a concessão de créditos do programa Nota Legal. O senhor também foi especialmente duro com a segurança pública. A OAB-DF fará oposição ao GDF?

– De forma alguma. A OAB-DF não é partido político. Não vamos nunca nos orientar por alguma inclinação político-partidária. O advogado pode e deve ter bandeiras partidárias. A OAB nunca. Nossa ação nasce da bandeira de defesa dos direitos do advogado, da Instituição e da cidadania. No caso do programa Nota Legal, o desrespeito ao cidadão contribuinte era flagrante. A Secretaria da Fazenda simplesmente desconsiderou o percentual anterior de 30%, não apenas para as operações futuras, mas também para todas aquelas realizadas a partir de maio de 2012.

– Como assim?

– A nova regra que eles pretendiam aplicar, constituiria em artifício inconstitucional para reduzir retroativamente a isenção fiscal concedida aos contribuintes do IPVA e do IPTU, que vencem nas próximas semanas. Trata-se de um aumento ilegítimo da arrecadação tributária. O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF seguiu o Relator, Desembargador Getúlio, e concedeu a liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade. Foi uma iniciativa de defesa dos interesses do contribuinte, recolocando a OAB-DF como interlocutora permanente dos direitos do cidadão.

– Mas o senhor também tem feito pronunciamentos duros, denunciando a falta de segurança pública no DF.

– Também não tem nada a ver com política partidária. Estamos apenas dando voz ao cidadão comum, que observa essa escalada da violência e o crescimento do tráfico de drogas sem que haja uma ação efetiva e eficaz dos responsáveis pela segurança pública. Queremos uma cidade mais justa e mais segura. O que vemos é o contrário e a Ordem dos Advogados do Brasil não pode ficar assistindo a isso. É preciso marcar posição, exigir medidas eficazes, buscar respostas para este e outros problemas que a cidade tem vivido. A OAB deve ter sempre uma postura independente do governo, independentemente de quem esteja no governo. A OAB está preocupada com o advogado, com os cidadãos e seus direitos. Não vamos nos eximir dessa responsabilidade.

– Qual é o papel que a OAB deve desempenhar em benefício da sociedade e não apenas como uma entidade corporativa?

– A sociedade sempre espera uma atuação firme da OAB em sua defesa. A missão da Ordem é garantir ao advogado o livre exercício profissional, mas é preciso cumprir seu papel Institucional de trabalhar em todas as causas sociais. As drogas estão tomando conta da nossa cidade, os índices de criminalidade crescem, assim como o sentimento de insegurança. A OAB-DF não será mais omissa. Os brasilienses, advogados ou não, estão clamando por uma OAB-DF mais atuante e participativa. Vamos garantir aos advogados o livre exercício profissional e participaremos efetivamente de todas as questões relevantes para a sociedade.

– Qual é a marca que o senhor pretende deixar em três anos de mandato?

– A nossa marca será de apoio integral ao advogado e de atuação firme na defesa dos cidadãos. Vamos resgatar o respeito e o prazer de sermos advogados. Vou liderar a defesa das prerrogativas, demonstrando a todas as autoridades que o respeito aos advogados engrandece a Justiça e a cidadania. Não existe Justiça sem advogado. Outra marca será o apoio ao advogado iniciante, colocando à sua disposição todo o apoio Institucional. Vamos também reestruturar a Caixa de Assistência, para dar mais tranqüilidade aos advogados e suas famílias.

– O senhor acha correto que a Ordem receba 10% das custas de todos os processos? Por que o cidadão comum tem que manter a entidade? Abrir mão desse dinheiro não diminuiria os custos de acesso à Justiça?

– A Ordem não recebe qualquer dinheiro de custas processuais. Isso já acabou. Durante algum tempo, a Ordem recebia valores de custas, dinheiro que foi aplicado na construção da sede. Mas essa arrecadação não existe mais. A OAB-DF é mantida apenas com a arrecadação das anuidades e com as taxas que são cobradas por serviços oferecidos. E assim deve ser. As taxas eram muito altas, a começar pelo valor da anuidade, que não estava à altura dos serviços prestados pela instituição – embora fosse um dos mais altos do país. Já reduzimos o valor da anuidade para R$ 600. É possível administrar a OAB assim, desde que não haja desperdício.

– A OAB é contra o poder de investigação do Ministério Público. Essa postura pode favorecer criminosos que precisam de advogados para derrubar denúncias graves? Qual a sua opinião sobre isso?

– Eu sou contra o poder de investigação do Ministério Público e, principalmente, contra os abusos que vêm sendo cometidos pelo MP. Vivemos em uma democracia e cada um tem que exercer as suas funções de forma coerente e responsável. Temos uma polícia extremamente qualificada e bem aparelhada e o Ministério Público, como condutor dos inquéritos, tem todo direito de solicitar à polícia as provas necessárias. Hoje ocorre um confronto entre a investigação feita pela polícia e outra investigação feita pelo MP, sem qualquer fiscalização da sociedade. Nós temos que combater todos os abusos, tanto do MP quanto da polícia e estar atentos ao que a sociedade clama: o direito de defesa.

– O senhor considera que são claros os critérios para designação de advogados na composição de tribunais nas vagas do chamado quinto constitucional? Como deve ser essa escolha?

– O sistema precisa ter a participação direta do advogado e é isso que nós propomos. Não podemos mais permitir que grupos políticos se reúnam para colocar amigos e funcionários nesses cargos. Nós temos que trabalhar de forma clara, com a participação direta de todos os advogados. Aí sim, nós vamos ter um representante do quinto constitucional que tenha um vínculo com a categoria. O sistema de escolha será mudado, democratizando a composição das vagas, com a participação do advogado por meio do voto, na escolha da lista do quinto constitucional.

– No julgamento do mensalão, o relator, ministro Joaquim Barbosa, queria representar contra advogados que o atacaram, alegando que o ministro não tinha isenção para julgar o processo por ter dado entrevistas sobre o caso de grande repercussão nacional. Qual a sua opinião sobre esse episódio?

– O processo do mensalão foi uma das maiores provas do desrespeito que nossa classe tem sofrido. Os advogados foram extremamente maltratados pelo relator do processo e foram colocados à margem do julgamento, como se não tivessem uma função essencial para o desenvolvimento do processo, inclusive, para que se chegasse às condenações que ocorreram. O advogado dá transparência ao processo, faz a defesa técnica e oferece as condições para o magistrado exercer o seu direito de julgar. Nós presenciamos um dos maiores desrespeitos ao exercício profissional dos advogados.

– O senhor acha que a OAB, como entidade que recebe recursos públicos, deve se submeter à fiscalização do Poder Público?

– Repito que a OAB-DF não recebe recursos públicos. De qualquer forma eu defendo que a instituição preste contas da aplicação desses recursos aos advogados e aos órgãos de controle. Sou favorável à total transparência nos gastos e investimentos do dinheiro do advogado, que deve ser empregado em atividades exclusivas de interesse da categoria. Vamos realizar uma gestão de austeridade, utilizando os recursos arrecadados apenas para serviços em benefício do advogado, sem gastos supérfluos. Vou trabalhar pelo prestígio da OAB e do advogado. Desde já assumo o compromisso: sou pessoalmente contra a reeleição e não vou mudar de ideia daqui a três anos.

– Por que ser presidente da OAB-DF? Esta é uma posição de prestígio que dá visibilidade para o seu escritório de advocacia?

– Sem dúvida que ser presidente da Ordem dos Advogados dá prestígio – o mesmo prestígio que merecem ter todos os advogados. A OAB é uma Instituição respeitada, participante e presente nos principais momentos da história recente do Brasil, sempre tomando posições corajosas em benefício da sociedade brasileira. Mas nós queremos que esta luta também seja a favor do advogado. Eu sou presidente para cuidar do advogado, das nossas prerrogativas.

Fonte: Revista Brasília – 11/02/2013

OS ESPíRITOS DOS NATAIS PASSADOS TENTANDO FICAR NA OAB-DF?

Presidente da OAB-DF diz ter achado escuta na sede da seccional

Técnico encontrou gravador e microfone sob a mesa do presidente.
PF disse que está periciando aparelhos e vai emitir laudo semana que vem.

grampo-telefonicoO presidente da seção da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), Ibaneis Rocha, disse nesta sexta-feira (1º) ter encontrado um gravador instalado na central telefônica do órgão e um microfone escondido sob a mesa dele. Os equipamentos foram recolhidos pela Polícia Federal para perícia.

Rocha disse que a escuta foi descoberta após ele ouvir, desde o início da sua gestão, em 1º de janeiro, um chiado permanente nos telefones da presidência. Além disso, as ligações caiam com frequência. “Pensei que era defeito na sala da presidência”, disse.

No último domingo (27), um técnico especializado foi contratado para verificar o problema e encontrou o equipamento. A Polícia Federal foi acionada no mesmo dia, apreendeu os aparelhos e colheu digitais.

A PF informou que não fez a inspeção na sede da OAB-DF, mas confirmou ter recolhido os equipamentos encontrados pela emnpresa contratada pela Ordem. O laudo sobre a origem dos equipamentos deve ficar pronto na próxima semana.

“Encontrar esse equipamento na Ordem me causou espanto. Não tenho suspeitas de quem fez isso. O autor do crime tem que ser localizado e punido, tendo ouvido ou não alguma gravação”, falou Rocha.

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Ibaneis Rocha foi eleito presidente da OAB-DF em novembro do ano passado. Ele venceu Francisco Caputo, que tentava reeleição. Ibaneis teve 7.225; Caputo, 4.805. De acordo com a OAB-DF, cerca de 15 mil advogados participaram da votação.

Fonte: G1.com