Solidariedade: Autoestima em em alta para encarar o câncer

Projeto Retratos de uma luta reúne mulheres que encontram no cuidado com a beleza um jeito de enfrentar o momento difícil. A iniciativa atraiu cerca de 200 pessoas, das quais 100 com a doença.

Depois de maquiadas, mulheres que têm câncer posaram juntas para as fotos no Parque da Cidade.

 

Francisca Maria Gomes Batista, 57 anos, nunca gostou de sair de casa sem maquiagem. E, sendo professora universitária em um curso de design de moda, sempre fez questão não só de manter o rosto bem tratado, mas de cuidar de todos os aspectos da beleza. Isso não mudou quando ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama. “Minha primeira preocupação foi com o meu cabelo. Hoje, que estou em outra fase, vejo que isso não é o mais importante, mas sim se manter forte. Tanto que, às vezes, até saio carequinha”, brinca. …

 Assim, seja de lenço, de chapéu, seja sem usar nenhum acessório na cabeça, ela mantém os cuidados com o tratamento e também com a imagem no espelho. “É claro que se sentir bonita é importante. Nunca me deixei largada. Não saía de cara limpa antes, por que vou fazer isso agora?” A professora era uma das 100 mulheres com a doença que estiveram no Parque da Cidade, ontem, durante o projeto Retratos de uma luta.A iniciativa atraiu cerca de 200 pessoas. Entre fotógrafos e maquiadoras, mulheres que lutam para vencer o câncer ganhavam um dia de embelezamento registrado por profissionais voluntários da boa causa. Para a fotógrafa Ana Paula Quirino, 36 anos, idealizadora do evento, o principal objetivo era deixar a autoestima delas tão bonita quanto seus rostos maquiados.

 Depois de ser diagnosticada  com Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF) — uma doença autoimune — e desenvolver um câncer no colo do útero em consequência do tratamento, ela viu que precisava encontrar uma forma de seguir adiante. Ana Paula decidiu se unira outras mulheres que conheciam o choque da confirmação de que tem um tumor. “Minha ideia era fazer um ensaio com algumas delas, mas ninguém topava. Até que decidi usar a internet e o projeto se tornou bem maior.”

 Com o apoio de várias entidades, ela reuniu pacientes e familiares em um evento que irá se tornará uma exposição fotográfica. “Não esperava tanta gente e estou feliz com o número de mulheres que estão vindo me agradecer por pensar nelas. É muito gratificante”, comenta a fotógrafa. Quando se dão conta de que a própria vaidade não será levada pela sombra do câncer, essas mulheres descobrem outra fonte de segurança para suportar a quimioterapia.

 “O tratamento melhora quando a gente cuida desse lado. Antes do diagnóstico, eu nem ligava muito para maquiagem. Agora, acordo e vou direto para o espelho, passar um lápis, um rímel e um batom”, conta a servidora pública Adriana Abreu, 38 anos, que tem câncer no ovário. Mesmo que tenha ficado abatida quando se viu sem os cabelos, conta que seu aprendizado nas técnicas de amarração do lenço têm ficado cada vez melhores. “Hoje, nem sinto que estou com ele pelas ruas. É o meu cabelo”, diz.

 A maquiadora Simone Sawazaki nunca havia maquiado mulheres com aquele tipo de problema de saúde. Mesmo assim, se esforçou para deixá-las prontas para a foto. “Sempre dou o meu melhor em todo trabalho. Mas esse é especial: quero fazer com que elas sintam que podem superar tudo que estão passando.” A fisioterapeuta oncológica Ellen Protzner Morbeck também fez parte da organização. Ela frisou que o temor das mulheres em perder sua feminilidade durante o tratamento é grande e reuniões como essa existem para expor o contrário.

 “A gente quer mostrar que elas podem continuar bonitas. E é maravilhoso ver essa troca de experiências. Isso não ajuda apenas quem tem câncer, mas até mesmo pessoas que cuidam de quem tem, como eu. Só faz crescer minha vontade de ajudar.” Uma troca tão necessária que fez a microempresária Cláudia Garcia, 34 anos, vir de Minas Gerais apenas para esse encontro. “Sempre fui vaidosa e me mantive do mesmo jeito: mesmo com dor, estou sempre com batom nos lábios e de salto. Isso é muito importante para o tratamento. Nunca tive vergonha de expor o câncer: ele tentou arrancar meus sonhos, mas não conseguiu.”

 E são esses exemplos de quem luta de cabeça erguida e de quem venceu a doença que conectam ainda mais essas mulheres. A professora Rachel Loiola, 36 anos, está há um ano e sete meses longe da quimioterapia. Porém, oito meses depois de vencer essa batalha, perdeu o marido. Mesmo assim, garante que não desiste. “É revigorante ver tanta gente lutando para vencer essa doença, porque sei como é esse momento. Eu me tornei bem mais vaidosa depois do câncer e hoje me sinto uma mulher linda.”

Fonte: Por RAFAEL CAMPOS, Correio Braziliense

Para casa: Genoino e o novo STF

Saída do petista José Genoino da prisão marca o início de uma nova era no Supremo Tribunal Federal sob o comando do ministro Ricardo Lewandowski.

 

levandoDuas semanas separaram a aposentadoria do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e a saída de José Genoino e Jacinto Lamas da prisão. À frente do STF, Barbosa havia endurecido a aplicação das regras de execução penal. Assim, manteve os dois condenados do mensalão no regime semiaberto por oito meses. O novo presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski, formalmente eleito na tarde da quarta-feira 13, preferiu marcar uma nova era no Supremo. O cálculo mais rigoroso adotado por Barbosa para aplicar a pena aos mensaleiros deu lugar a uma variável que atenuou a duração do cárcere: os dias remidos. Pela regra, adotada por Lewandowski, os condenados abatem da punição os dias que passam estudando e trabalhando na cadeia. Com isso, Genoino obteve a remissão de 34 dias e conseguiu a progressão do regime semiaberto para a prisão domiciliar. Caso contrário, o petista ficaria na Papuda até setembro. A progressão foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, em resposta a parecer do Ministério Público Federal.

O petista José Genoino deixa a Papuda, em Brasília, terça-feira 12.genu

 

Graças ao novo estilo de Lewandowski, outros condenados no mensalão poderão ser beneficiados. O ex-ministro José Dirceu cumpre regime semiaberto e, segundo a contagem formal, ganharia a liberdade em maio de 2015, completando um sexto da pena. Mas a nova leitura que o Supremo fará sobre os dias remidos pode garantir ao ex-ministro antecipação da progressão para o regime aberto em novembro de 2014, aposta magistrado da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal ouvido por ISTOÉ. O abatimento dos dias trabalhados e estudados é uma variável que depende do presidente do STF. Advogados dos condenados do mensalão reclamavam que, na gestão de Barbosa, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal sofria grande pressão do Supremo e não tinha autonomia para definir situações que, na visão deles, seriam corriqueiras, como é o caso dos dias remidos.

O novo presidente, Ricardo Lewandowski, quer melhorar a relação com a imprensa…

Não será apenas a política de execução penal que mudará sob Lewandowski. Na área administrativa, servidores da confiança do novo presidente do STF trabalham para eliminar da estrutura do tribunal qualquer resquício capaz de lembrar a gestão do antecessor. “A missão é desconstruir a tese de que na gestão anterior o Supremo funcionava melhor”, afirma um servidor do gabinete do novo presidente. Uma das tentativas de demarcar diferença foi a convocação de uma força-tarefa para distribuir 2.600 processos “acumulados”. A missão de oxigenar a agenda de trabalho ficará a cargo de um fiel escudeiro de Lewandowski. O professor de direito Manoel Carlos de Almeida foi escolhido para ocupar a secretaria-geral. Com isso, dados do Portal de Transparência do Supremo que haviam sido desativados a pedido de Barbosa voltarão ao ar. A Secretaria de Comunicação Social também está em fase de reestruturação. O novo presidente quer recuperar a relação da corte com a imprensa. Lewandowski avalia que a instituição perdeu com os repetidos embates de seu antecessor e jornalistas especializados na cobertura do Judiciário.

Fonte: Por JOSIE JERONIMO, revista Istoé

Câmara aprova profissão de paralegal a não aprovados na OAB

Texto cria a carreira dos paralegais, profissionais que poderão atuar na área jurídica sob responsabilidade de um advogado

Brasília – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou há pouco, em caráter terminativo, um projeto de lei (PL 5.749/13) que pode permitir que mais de 5 milhões de brasileiros, formados como bacharéis em direito mas que não foram aprovados no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), exerçam algumas atividades que não são permitidas hoje.

exame-de-ordemO texto cria a carreira dos paralegais, profissionais que poderão atuar na área jurídica sob responsabilidade de um advogado.

“O paralegal, em síntese, é alguém que, não sendo advogado, auxilia e assessora advogados, realizando funções paralelas e de grande importância para o sucesso do escritório de advocacia. Como é evidente, eles não podem exercer sozinhos atividades típicas de um advogado, como dar consultas ou assinar petições aos tribunais”, explicou o relator da matéria, Fabio Trad (PMDB-MT). A proposta ainda depende de aprovação no Senado.

Trad ainda lembrou que outros países, como os Estados Unidos, já adotam esse tipo de medida. Para os deputados da CCJ, houve consenso de que as restrições criadas pela falta de registro da OAB cria um “limbo injusto” para as pessoas que se formaram em direito e não passaram no chamado Exame de Ordem.

A proposta, que agora segue para o Senado, prevê o exercício da nova profissão por três anos para quem já se formou ou ainda vai concluir o curso. A proposta original do deputado Sergio Zveiter (PSD-RJ) contemplava apenas as pessoas que concluíssem a faculdade a partir da publicação da lei e garantiria o exercício por dois anos.

Durante a discussão sobre a proposta, o colegiado decidiu que o prazo era curto e não solucionava o problema de milhares de pessoas que ficam impedidos de atuar pela falta de aprovação da entidade representativa dos advogados.

Esperidião Amin (PP-SC) optou por não votar, mas explicou que não é contrário à proposta. “Quem é contra o exame da Ordem não pode concordar com o apaziguamento desse limbo social que foi criado no Brasil. É um exame cartorial de interesse financeiros. Para não criar problemas, vou me abster, mas deixo claro que, no futuro, nós vamos enfrentar uma discussão verdadeira entre admitir ou não o Exame de Ordem”, explicou.

STF DEVE PADRONIZAR ENTENDIMENTO SOBRE “PRNCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA”

Plenário do Supremo julgará caso de furto de chinelo de R$ 16

Homem foi condenado a um ano de prisão, mas ministro suspendeu punição.
Plenário deve padronizar entendimento sobre ‘princípio da insignificância’.

 furto-de-usoO plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, em data a ser definida, um processo no qual um homem foi condenado a um ano de prisão e dez dias-multa pelo furto de um par de chinelos avaliado em R$ 16. Como era reincidente, a Justiça de Minas Gerais determinou que a punição deveria ser cumprida em regime semiaberto, pelo qual o preso pode deixar o presídio para trabalhar durante o dia.

Desde a semana passada, a condenação está suspensa por decisão provisória do ministro Luís Roberto Barroso, que considerou que deveria ser adotado o “princípio da insignificância”.

O caso foi discutido na Primeira Turma do Supremo nesta terça-feira (5), mas os ministros entenderam que a definição sobre o que pode ou não ser enquadrado no “princípio da insignificância” precisa ser discutida pelo plenário.

No caso da condenação pelo furto do chinelo, a Defensoria Pública da União entrou com pedido para suspender a condenação, mas o tribunal local negou. Um recurso foi apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a Corte considerou que não deveria analisar o caso.

A Defensoria, então, argumentou ao Supremo que o valor do bem era “irrisório” e que o chinelo foi devolvido à vítima. Argumentou que o fato de o homem ser reincidente não deveria ser considerado para caracterização de crime.

Ao suspender provisoriamente a condenação, Barroso frisou que está em discussão se pode haver restrição de liberdade “em casos de conflitos de lesividade mínima”. Segundo ele, não há uma regra clara sobre o que deve ou não ser considerado como insignificante.

“Consulta à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal indica que, apesar de certa uniformidade na indicação de condicionantes para a caracterização da bagatela (mínima ofensividade da conduta do agente, ausência de periculosidade social da ação, grau reduzido de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica provocada), não há um enunciado claro e consistente para as instâncias precedentes a respeito daquilo que a Corte considera suficiente para afastar a aplicação da norma penal”, argumentou Barroso.

Para o ministro, houve “desproporção grosseira entre a resposta punitiva e a lesão (ou ausência dela) causada pela conduta”.

Furto de galinhas
Em maio deste ano, o Supremo arquivou ação penal contra Afanásio Guimarães, acusado de ter roubado duas aves de um vizinho em Rochedo de Minas, na Zona da Mata de Minas.

A 2ª Vara da Comarca de São João Nepomuceno (MG) abriu ação em setembro do ano passado por furto, crime que pode resultar em prisão de um a quatro anos de detenção. Em abril, o ministro Luiz Fux negou liminar (decisão provisória) para arquivar a ação, mas os ministros da turma decidiram encerrar o caso.

Fonte: Globo.com