VOCÊ ADVOGARIA PARA UM “BANDIDO”?

No primeiro dia de aula, nosso estimável professor da disciplina de Empresarial I, Adair Siqueira, nos indagou com uma questão simplória, porém bastante intrigante:

“VOCÊ ADVOGARIA PARA UM BANDIDO?”

Samantha Rabelo, estudante de Direito - UDF

Samantha Rabelo, estudante de Direito – UDF

Desnuda de qualquer hipocrisia, eu respondo, antes, com uma outra questão: “qual seria o conceito de bandido?”. Penso que ao advogado a análise do caso concreto se sobrepõe a qualquer outra análise, a priori, o olhar de um advogado deve estar voltado aos fatos, aos caminhos que ele poderá percorrer ou não, à empatia ou não com o caso, propriamente dito. O julgamento, a sentença, no que tange aos “pecados” de uma persona cabe ao juiz. Um advogado, que pensa na sua carreira, age sempre e tão somente sobre o foco profissional inexorável, considerando os fatos, o caso em si, pois não é essa a ferramenta de um advogado?   Os fatos?

        Pois bem, vejamos, para que fique mais claro, se eu tivesse um escritório, e um indivíduo sentasse de fronte à mim buscando a resolução de um caso, eu primeiro analisaria a biografia de tal indivíduo, com sua personalidade, sua psiquê, virtudes e defeitos, para então partir para o caso? Se eu fizesse isso jamais aceitaria nenhum caso, e então não seria uma advogada e sim uma analista/psicóloga. Ninguém está livre dos “tumores” humanos, ninguém está livre de defeitos, a nós não cabe o julgamento desses aspectos e sim o julgamento dos fatos que nos foram apresentados, o diagnóstico da problemática, e não do “indivíduo problemático”.

        Indo um pouco além, e se o tal “bandido” estivesse sendo acusado por algo que, de fato, não lhe cabe, se a acusação for injusta? E sabendo disto, depois da análise clínica dos fatos, você lhe nega a defesa porque simplesmente você, ou quem quer que seja, o julga um “bandido”.

            Entenda, não digo que o cliente indifere por completo, mas o valor que os fatos elencam devem causar a reação inicial e necessária a um advogado, deve ser o tempero de tudo.

            O advogado não salva ninguém do inferno, muito menos lhe mostra o paraíso, não há poder para isto, ele apenas sabe encontrar uma saída do purgatório. Os passos farão os caminhos.

          O real e o ideal andam juntos na consciência do ser humano, mas as vezes é preciso singularizar esses elementos, e para um advogado, mais sábio é seguir o concreto, o real. O ideal nos propõe muitos caminhos, nos deixa cegos de tantos conceitos, nos confunde.

          O alimento de um advogado é a substância de um caso real. Penso que o sucesso está no foco, no olhar direcional, o irreal, o “será” nada nos dará. Esta ideia pode ser um tanto quanto assustadora e radical para alguns, mas não houve pretensão para tal, é apenas um pensamento nu e cru.


QUANTO A VOCÊ, QUAL SERIA A SUA RESPOSTA?

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