Há 110 anos nascia o poeta Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade completaria 110 anos nesta quarta-feira (31). Grande divulgador do modernismo, o escritor entrou para a história da literatura brasileira essencialmente como poeta, apesar de sua produção incluir livros infantis, contos e crônicas.

Nascido em Itabira, no estado de Minas Gerais, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto, aos 23 anos, por insistência da família. Nesse período fundou com outros autores, como Emílio Moura, “A Revista”, periódico de divulgação do modernismo no Brasil.

Após mudar-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete do Ministério da Educação até 1945, Drummond colaborou como cronista nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Na então capital federal lança algumas de suas obras mais importantes, como “Sentimento do Mundo” (1940), “A Rosa do Povo” (1945) e “Claro Enigma” (1951).
 
Uma das marcas da obra do escritor foi a variedade de temas. “Sua poesia é tanto amorosa quanto política. Trata tanto dos grandes acontecimentos como do cotidiano”, disse ao iG o autor Silviano Santiago , palestrante da mesa de abertura da Flip 2012 , na qual o poeta foi o homenageado.

“Mas, em meio a tantos temas, é possível encontrar duas ‘linhas de força‘. No início, um individualismo ferrenho e rebelde. Depois, a aceitação dos valores patriarcais da sociedade mineira”, completa.

Carlos Drummond de Andrade morreu em 17 de agosto de 1987, aos 84 anos. Durante a Flip deste ano foram lançados alguns trabalhos inéditos do escritor. Entre as principais publicações destacam-se “25 Poemas da Triste Alegria” (Cosac Naify), livro de 1924 nunca publicado pelo autor, e “Cyro & Drummond” (Editora Globo), que reúne 50 anos de correspondência entre Drummond e o escritor Cyro dos Anjos.

Sua obra oficial tem sido relançada pela Companhia das Letras , que venceu a disputa pelos direitos de Drummond com a Record. Entre os livros já lançados estão “A Rosa do Povo” (1945), “Claro Enigma” (1951), “Contos de Aprendiz” (1951), e “Fala, Amendoreira” (1957).

Dia D celebra obra do poeta Carlos Drummond de Andrade
 
 Para o Instituto Moreira Salles, não existe nenhuma pedra no caminho. Afinal esta quarta-feira (31), dia do aniversário de Carlos Drummond de Andrade, nascido em 1902, foi transformada pela entidade que cuida do precioso acervo do poeta no Dia D – Dia Drummond, que passa a figurar no calendário cultural do País. “Não queríamos que um material tão rico ficasse limitado aos muros do instituto”, conta Flávio Moura, um dos curadores da festa, ao lado do poeta Eucanaã Ferraz. “Nossa inspiração foi o Bloomsday, que acontece todo 16 de junho, quando os irlandeses (e todo o mundo) comemoram a vida e a obra de James Joyce.”
 
O ponto de partida foi envolver o maior número possível de admiradores do poeta, tanto famosos como desconhecidos. Assim, foi elaborada uma programação diversificada, que se espalha por diversas capitais brasileiras. Um dos destaques será a exibição do filme “Consideração do Poema”, produzido pelo IMS justamente para a data, no qual nomes importantes da cultura brasileira leem poemas de Drummond, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Hatoum, Fernanda Torres, Adriana Calcanhotto, Cacá Diegues, Antonio Cícero, Paulo Henriques Brito e Marília Pêra.
 
Com o evento, os curadores pretendem incentivar fãs anônimos a também lerem suas poesias preferidas: todos podem enviar por e-mail para o  site oficial seus próprios vídeos com leituras de poemas. O material vai inspirar um novo filme. Vale tanto famosos como “Poema de Sete Faces” (“Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra /falou: Vai, Carlos, ser gauche na vida”) como o emblemático “No Meio do Caminho” (“No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra‘), que Mario de Andrade considerou formidável mas fruto de um cansaço intelectual.
 
Um terceiro vídeo também produzido pelo IMS estará disponível no site: “No Meio do Caminho” (2010) conta com 11 versões em língua estrangeira do poema mais conhecido de Drummond declamadas por personalidades diversas, como David Arrigucci Jr., Matthew Shirts, Jean-Claude Bernardet e Heloisa Jahn. E, para que a iniciativa ganhe as ruas, inúmeros adesivos foram espalhados por livrarias e centros culturais, promovendo o Dia D.

Tantos festejos surpreenderiam o próprio homenageado. Meses antes de morrer, em 1987, o poeta estava seguro que, dali a dez anos, ninguém mais se importaria com sua obra. O excesso de modéstia certamente cegou o escritor, que deixou seus papéis cuidadosamente arquivados e catalogados, como se tivesse clareza quanto à importância de documentos ligados à vida literária na constituição – ou reconstituição – da história de uma carreira.

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SORRIA! VOCÊ “NÃO” PODERÁ SER GRAVADO!

A Câmara analisa o Projeto de Lei 4215/12, do deputado Leonardo Gadelha (PSC-PB), que transforma em crime a gravação de conversa, por qualquer meio, sem consentimento dos interlocutores.

A proposta altera a Lei 9.296/96, que regulamenta a interceptação telefônica determinada judicialmente, também conhecida como “grampo”. A pena para gravação de conversa sem consentimento, pelo projeto, é a mesma do grampo ilegal, que é de reclusão de 2 a 4 anos e multa.

 Segundo o autor da proposta, a gravação de conversas é usada, muitas vezes, para denegrir a imagem, para fazer chantagem ou extorsão. “Tais condutas trazem prejuízos que extrapolam a esfera moral e patrimonial, devendo haver uma punição mais severa”, diz Gadelha.

 Tramitação

A proposta será analisada em conjunto com o PL 1258/95 e com mais de 20 projetos que tratam do mesmo tema. Uma comissão especial da Câmara, que aguarda indicação de seus membros pela Mesa Diretora, vai dar parecer sobre os projetos. Posteriormente, o parecer será votado pelo Plenário.

*Enquanto a Sociedade vê alguns poucos avanços em defesa da verdadeira democracia, das boas práticas políticas e, principalmente, o grito de independência do Judiciário Brasileiro, alguns políticos insistem em impor métodos complicadores para punição à corrupção.

#NÃO-PL4215/12


Fonte: Jornal Guardian Notícias

Ministros criticam Lewandowski por citar artigo de jornal para sustentar voto

Mesmo acostumados com os debates acalorados travados durante o julgamento do mensalão, os magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) se surpreenderam na última quinta-feira (18) com a atitude inusitada do revisor da ação penal, ministro Ricardo Lewandowski, de usar um artigo publicado naquele dia no jornal “O Estado de S. Paulo” para sustentar seu entendimento sobre o crime de formação de quadrilha. Ministros ouvidos pelo blog classificaram de “heterodoxa” a iniciativa do revisor. …

“É heterodoxo um ministro votar com base em um artigo publicado em jornal. A Suprema Corte do país tem de se citar. Se quiser citar outros doutrinadores, que sejam ex-ministros do tribunal ou juristas consagrados”, ressaltou um dos magistrados do STF.

Lewandowski mencionou no plenário o texto do professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas Rafael Mafei Rabelo Queiroz, que havia analisado os critérios legais para a configuração de uma quadrilha. Para o acadêmico, “a quadrilha é um crime autônomo que não se confunde com os delitos que por intermédio dela se praticam”.

Em seu voto, que absolveu todos os réus que respondem por formação de quadrilha, o revisor enfatizou que Mafei “desenvolveu um raciocínio” como o das ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia. Em rodada anterior do julgamento, em que se apreciou a suposta corrupção por parte de partidos da base aliada do governo Lula (2003-2010), as duas magistradas contrariaram a orientação do relator e do revisor do mensalão e consideraram inocentes os oito acusados por quadrilha naquele tópico. …

Para um dos magistrados da mais alta corte do país, que pediu para não ser identificado para evitar novo mal-estar no Supremo, o ato de Lewandowski teria sido uma provocação aos demais colegas de tribunal.

“Citar pessoas que ninguém sabe quem é, é um acinte, não tem sentido. Nesses casos, ou você pega o voto de um colega ou cria uma nova doutrina. Eu nem sei quem é esse senhor que ele citou”, disparou o magistrado.

Fonte: Camarotti – Correspondente de Política da Globo News

NATAL ANTECIPADO – RENOVADORES

 

 

OLHE PARA O LADO! SEU IRMÃO PRECISA DE VOCÊ!

Veja como será simples ajudar no dia 15 de Dezembro:
O que você sabe fazer? Como pode colaborar com o NATAL ANTECIPADO – RENOVADORES?
Advoga? Que tal fazer algumas consultas jurídicas gratuitas? Tirar dúvidas, auxiliar os alunos de Direito com o atendimento dos cidadãos;
Enfermeiro? Técnico em Saúde? Ótimo, pode ajudar com consultas simples (medição de pressão, glicemia, IMC);
Tem um brinquedo que seu filho não usa mais? Doe para uma criança carente;

E aquela roupa no fundo da gaveta? Não ficaria melhor vestindo um pai de família desempregado? DOE;
Quer ser voluntário no dia 15? Entre em contato;
Qualquer coisa! Ajude-nos com qualquer coisa para fazermos um Dia Especial na vida de uma Comunidade Carente! Você sabe que pode ajudar!
AJUDE-NOS A AJUDAR!

PORQUE PEDRO SIMON NÃO FOI NEM SERÁ PRESIDENTE DO CONGRESSO

Sabem por que Pedro Simon, senador desde 1979, jamais foi nem será presidente do Senado e do  Congresso? Porque se fosse, marcaria sessões deliberativas às segundas e sextas-feiras, até aos sábados, caso necessário. Não daria moleza aos parlamentares e sua atitude certamente contaminaria a Câmara,  impedindo o vexame desta semana, quando  na surdina os deputados oficializaram no Regimento Interno prática que vem desde a inauguração de Brasília, de só votarem projetos nas terças, quartas e metade das quintas-feiras.

                                                                  Um vexame a mais, ainda que nada tenha mudado. Ou vá mudar. Suas Excelências institucionalizaram a moda de só trabalhar dois dias e meio por semana. Se quiserem, três dias, mas não mais. Inclusive os senadores, a grande maioria não mora na capital federal. Acampam aqui, no meio da semana, isso quando gozam do recesso remunerado, como neste segundo semestre. Desde agosto que, a pretexto das eleições  municipais, vem comparecendo ao Congresso apenas uma semana por mês, no que chamam de esforço concentrado. Para que? Para dedicar-se à escolha de vereadores e prefeitos, inclusive participando das campanhas para o segundo turno, dia 28.

                                                                  Verdade? Não. Mentira, já que dos 513 deputados e 81 senadores, quantos foram e e estão sendo vistos nos palanques ou trabalhando nos comitês eleitorais de seus correligionários? Muito poucos.

                                                                  Virou rotina dizer que o Brasil  mudou nos últimos anos, não sendo mais aquele país do jeitinho,  da complacência e da miséria.  Pelo menos no Congresso, não é o que se vê.

                                                                  Voltando a Pedro Simon, tempos atrás   ele explicou as razões de porque não teria sequer o voto de sua mulher, se ela fosse senadora. Além de exigir presença de todos, exceto aos domingos, ele proibiria viagens de seus colegas ao exterior pagos pelos cofres públicos.  Restringiria a distribuição de passagens aéreas para viagens aos estados de origem de seus colegas, exceção a uma por mês.  Suprimiria o décimo  quarto e  o  décimo quinto salários.  Limitaria a farra do tratamento médico e dentário gratuitos  para os parentes de senadores. Abriria processos administrativos  pela  prestação de serviços domésticos por funcionários dos gabinetes. E muita coisa  a mais,  em nome da ética e da moralidade. Dispensam-se outros comentários.

Carlos Chagas

Deputado Federal tenta extinguir prova da OAB por MPs

Em toda medida provisória do governo, Eduardo Cunha apresenta emenda acabando com o exame da ordem dos advogados. Expediente de repetir emendas em MPs é também usado por Inácio Arruda, com outra finalidade

Para Eduardo Cunha, numa realidade de pauta sempre trancada, emendar MPs virou um caminho para exercer a atividade legislativaColcha de retalhos, jabuti, Frankenstein, ornitorrinco. Esses são quatro dos vários apelidos dados a medidas provisórias (MPs) que, por reunir diversos assuntos sem conexão com o objeto central, acabam virando um caldeirão de proposições. A profusão de MPs ornintorrincos criou uma nova modalidade de ação legislativa. Em vez de apresentar projetos de lei, parlamentares resolveram agora tentar emplacar suas proposições apresentando emendas para engordar ainda mais a série de assuntos tratados nas medidas provisórias.

 Um dos especialistas nesse expediente tem sido o deputado peemebista Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro  (foto). Em várias MPs, ele apresentou emenda propondo o fim do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – e diz que manterá o procedimento nas próximas. Outro que tem permanentemente recorrido a essa estratégia é o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que tenta enxertar duas emendas – uma sobre a indústria de processamento de castanha de caju e outra sobre a indústria têxtil. …

 Embora os dois congressistas sejam os mais visíveis e frequentes autores de emendas nas mais recentes MPs, não são os únicos. Para se ter uma ideia de como tal expediente tem sido usado, a MP 579/2012, por exemplo, apresentada em 12 de setembro, já recebeu nada menos que 483 emendas parlamentares.

Sete das mais recentes MPs protocoladas na Câmara receberam a mesma emenda de Eduardo Cunha. São elas: MP 576/2012; MP 577/2012; MP 578/2012; MP 579/2012; MP 580/2012; MP 581/2012; e MP 582/2012. Dessa lista, Inácio Arruda não apresentou emenda apenas à MP 579/2012.

 Exame da ordem

A ação recorrente de Eduardo Cunha visa extinguir o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ser aprovado no exame é exigência para que o bacharel em Direito possa exercer a advocacia. O deputado é contrário à exigência e a bombardeia emendando medidas provisórias.

 “Um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é a ‘livre expressão da atividade intelectual’, do ‘livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão’. A exigência de aprovação em Exame da Ordem […] é uma exigência absurda que cria uma avaliação das universidades de uma carreira, com poder de veto”, justifica Eduardo Cunha, no texto que sempre acompanha a sua emenda. Eduardo Cunha lembra ainda que tal exigência corporativa vem sofrendo questionamentos. Uma ação do Ministério Público contesta a obrigatoriedade da prova e está em exame no Supremo Tribunal Federal (STF).

 Para o deputado peemedebista, a OAB deveria combater os “maus profissionais” em vez de exigir teste para ingresso em seu quadro de advogados. “Vários bacharéis não conseguem passar no exame da primeira vez. Gastam dinheiro com inscrições, pagam cursos suplementares, enfim, é uma pós-graduação de Direito com efeito de validação da graduação já obtida. […] Estima-se que a OAB arrecade cerca de R$ 75 milhões por ano com o Exame da Ordem, dinheiro suado do estudante brasileiro já graduado e sem poder ter o seu direito resguardado de exercício da profissão”, arremata Eduardo Cunha, acrescentando que nenhuma outra carreira faz exigência semelhante. Além de tentar a modificação via MP, Eduardo Cunha pretende alterar a Lei 8.906 , que dispõe sobre o estatuto da OAB e foi sancionada em 4 de julho de 1994.

 Castanha de caju

Candidato a prefeito de Fortaleza derrotado nas eleições do último 7 de outubro, Inácio Arruda repete sempre duas emendas às MPs. Uma delas pretende enxertar os “códigos TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados” em anexo da Lei 12.546/2011, para incluir o setor produtivo da castanha de caju, “inclusive do líquido da casca da castanha de caju – LCC”, entre os setores a contribuir sobre o valor da receita bruta, com alíquota de 1% do total.

 A sugestão de Inácio substitui contribuições definidas no artigo 22 da Lei 8.212/1991, que versa sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, entre outras providências. Para o senador, a inclusão da indústria de beneficiamento da castanha de caju entre os setores contemplados, no âmbito do Programa Brasil Maior, com medidas de desoneração remuneratória, “terá significativo impacto” no Nordeste, ao garantir renda e emprego “tanto no campo como nas cidades”.

 Para o senador, sua emenda ajudará o segmento exportador do caju a ter mais condições para enfrentar a concorrência internacional. “Trata-se de um setor relevante para o comércio exterior da Região [Nordeste]. […] A desoneração da folha de pagamento representará contribuição indispensável para garantir a manutenção e expansão da taxa de ocupação de mão-de-obra no setor, inclusive com a incorporação do grande número de empregados atualmente terceirizados”, emenda Inácio na justificação, lembrando que no Ceará, seu reduto eleitoral, a indústria do caju é responsável por cerca de 520 mil empregos diretos e indiretos.

 “Drawback”

A outra emenda de Inácio também tem preocupações mercadológicas. Trata-se da prorrogação, “em caráter excepcional”, dos atos concessórios dos chamados “drawbacks” da indústria têxtil – em termos gerais, regime aduaneiro instituído em 1966 que busca suspender ou eliminar tributos sobre insumos importados utilizados em produtos exportados. Segundo a Receita Federal, “o mecanismo funciona como um incentivo às exportações, pois reduz os custos de produção de produtos exportáveis, tornando-os mais competitivos no mercado internacional”.

Inácio lembra que sua emenda contemplará os drawbacks a vencer em 2012 ou cujos prazos máximos tenham sido prorrogados segundo os ditames do Decreto-Lei 1.722, de 3 de dezembro de 1979 – altera o sistema de estímulos fiscais à exportação de manufaturados.

 Na justificativa da sugestão, o senador faz menção aos efeitos deletérios da crise econômica mundial para a economia brasileira, em “ambiente de incerteza” vivido por empresas brasileiras. “Não bastasse a redução do consumo mundial e as medidas restritivas adotadas por diversos países, os exportadores brasileiros ainda estão enfrentando a forte valorização do Real frente ao dólar, o que prejudica sensivelmente nossa competitividade externa – sobretudo quando os maiores exportadores de produtos têxteis e confeccionados do mundo mantêm suas moedas depreciadas de forma administrada […]”, registra Inácio, acrescentando que países estrangeiros também concedem subsídios às suas empresas exportadoras.

Gaveta

 O tema das medidas provisórias tem provocado debates intensos no Congresso, sobretudo quando a oposição discorda de suas disposições ou do excesso de enxertos por parte de parlamentares. Nesta legislatura, diversas MPs já foram arquivadas depois de divergências incontornáveis, algumas delas capazes de resultar em agressões físicas em plenário – como aconteceu em 2 de junho do ano passado, quando os senadores Mário Couto (PSDB-PA) e Marcelo Crivella (PRB-RJ), atual ministro da Pesca, quase se estapearam em meio às discussões sobre as MPs 520/2010 e 521/2010.

Diante da situação, o Senado até que tentou disciplinar a tramitação dessas matérias. Em 17 de agosto, a Casa aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 11/2011, que justamente pretende coibir os abusos no rito que esses instrumentos legislativos sofrem no Congresso. Tão logo foi anunciada a aprovação, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) chamou a atenção do plenário para dizer que assinava naquele instante o envio da proposição à Câmara, como que a pedir àquela Casa, para onde segue o texto, sua rápida tramitação.

Passados exatos 14 meses desde a aprovação da PEC 11/2011, não há data prevista para a apreciação da matéria pelos deputados. Não há informação sequer se a proposição pode ser apreciada ainda em 2012 – ano eleitoral que frustra o avanço da pauta legislativa, devido ao esvaziamento do Congresso por parlamentares envolvidos em campanhas. Segundo a assessoria da Câmara, a votação da matéria em plenário depende da concordância do colégio de líderes, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

Fonte: Congresso em Foco 

PARABÉNS, PROFESSORES! OBRIGADO POR TUDO!

Pensar nesse habitante da escola, é pensar em alguém que escolheu dedicar seus passos aos outros.

Ser professor… uma geografia da disposição, da relação.

Para mim, ser professor é uma escolha.

Pensar nessa figura, nesse habitante da escola, é pensar em alguém que escolheu dedicar seus passos aos outros. Um habitante que se confunde com a própria escola, que se torna um espaço de atravessamento dos outros, dos saberes, das culturas. Esse habitante é o parceiro, o companheiro, aquele que desafia, que frustra, que apresenta caminhos.

Aprendi a ser professor sendo professor. Tornei-me professor quando percebi que ser professor não é professar linhas, métodos ou didáticas. Ser professor é abrir-se ao outro, às relações. Ser professor é ter uma disposição, uma disponibilidade para ser atravessado pelo mundo. É deixar de ser e ser um outro a todo instante.

Aprendi a ser professor com olhares, com gestos, com as palavras de meus estudantes. Sempre soube que ser professor era colocar-se entre um ensino e uma aprendizagem… um lugar onde a educação é relação… daqueles que se dispõem a atravessá-la. Um espaço de “ensinagem”, da união entre ensino e aprendizagem. Nesse espaço, o professor é estudante, o estudante é professor, a escola é a afirmação de um espaço relacional.

Gosto de pensar e conviver com um professor que provoca encantamentos, mas que também se deixa encantar por seus estudantes. Encantamentos pelos temas de trabalho, por seu estudo, pelas crianças, por suas escolhas. Alguém que se dispõe aos encantamentos. Um encantamento que movimenta, provoca, desloca, faz com que queiramos sempre mais.

Para ser esse habitante da escola, é preciso provocar e ser provocado. É essa dinâmica, esse jogo, essa relação, que transforma o professor em estudante! Professor-estudante que se joga nas brincadeiras, nas relações, que dá limites, fronteiras, espaços, que cuida de seu grupo, que cuida de cada um que convive com ele. Alguém que se joga na cultura, enriquece linguagens, compromete-se com as suas escolhas.

Professor-estudante precisa de estudo. Tem de se jogar nas letras e livros, nas imagens e sons, nas ideias e pensamentos, nas conversas e discussões. Ler, escrever, discutir, escutar música, ver filmes, saber e sentir as coisas que passam pelo mundo afora… São condições para a ampliação das linguagens que se constroem dentro do espaço escolar.

Pensar no que representa ser professor é pensar na minha vida, com toda a intensidade, todo o afeto e todo o carinho que sinto por ser esse habitante da educação. Quero contar uma história vivida… atemporal, sentimental e que expressa a costura entre ser professor e estudante… das coisas simples e marcantes que essa relação pode nos provocar, transformando toda uma vida. Ainda bem que eu vivi e vivo ser um professor!

O MARUJO E O PROFESSOR

Você sabe o que é fazer seis anos? Provavelmente, já sabe, pois já fez um dia na vida! Você também já sabe o que é aprender a ler e a escrever? E entender que nem sempre você ganha, nem sempre te escutam e nem sempre você consegue se segurar?

Bem, tudo isso é comum para alguém que já passou pela escola!

Agora, imagine você vivendo tudo isso e ainda descobrir que, dentro da sua sala de aula, há um cofre?????!!!!!!

Pois é, dentro da minha sala de aula havia um cofre! Eu tinha quase seis anos, quase escrevia e quase não bagunçava… e, na minha classe, havia um cofre!

No primeiro dia de aula, eis que entra o professor. Parecia um menino, como nós! Para quebrar o gelo, um suspense:

 — Gente, vocês não imaginam o que eu encontrei dentro do nosso armário! – disse aquele professor com os olhos e gestos de criança de quase seis anos.

— Há muitos anos, vivia nessa casa um marujo do mar. Ele era horripilante: tinha cabelo de duas cores parecendo palha, tinha um olho no meio da testa, os dedos tortos, o nariz beeeeem comprido e as bochechas caídas. Os dentes, ahhhhhhh!, nem se fale, todos cheios de couve e outros legumes verdes entalados há anos, desde seu último jantar decente!

Ele era um marujo muito sabido. Viajava mundos que não conhecemos ainda. Mundos subterrâneos e submersos, ilhas escondidas atrás de outras ilhas desertas.

Certo dia, encontrou um tesouro, daqueles que passamos a vida toda buscando! Olha que ele nem precisou da vida toda, bastaram 100 anos! Depois de ter encontrado seu tesouro, não precisava mais viajar, tinha apenas de encontrar um lugar para guardá-lo e, quando precisasse, era só pegá-lo.

Adivinhem em que lugar ele o guardou?

Todos nós ficamos mudos, sem respirar e atentos com as orelhas em pé!
— Guardou dentro da escola!!!!!!!!!! Que antes não era escola, lógico! Era a casa de sua tatararararara-avó! O melhor lugar que encontrou foi o armário! Nunca ninguém conseguiu abrir o cofre e eu sei que na escola se esconde uma chave que abre o cofre!

Logo que escutei isso, olhei para os meus amigos e chispamos para o pátio. Durante meses, fizemos uma verdadeira busca em todos os cantos da escola:

– cavamos a areia toda, mexemos em todos os armários, vimos em cada canto de parede, em cada vão das árvores, em todas os vasos de plantas e assim seguimos fazendo até…….até eu conseguir escrever, fazer seis anos, perder muitas coisas, ganhar outras e entender que posso conversar ao invés de…

 Aquilo de abrir o cofre já não era tão importante! Eu preferia ficar jogando bola e, pelo visto, meus amigos queriam ficar brincando de outras coisas também, como trocar figurinhas. As meninas se uniam para trocar adesivos e fazer maquiagem… e o nosso professor nos observava…

Talvez pensasse na chave perdida ou apenas pensasse no que aquele primeiro dia significou…

O ano acabou, até que tentamos abrir o cofre, mas não conseguimos. Fomos embora e sei que a história se repetiu (uns meninos de cinco anos me contaram). Ninguém nunca descobriu o que havia dentro daquele cofre misterioso. Acho que os únicos que sabiam eram o marujo do mar e o meu professor.

Mas posso dizer que, talvez, o que se escondia lá dentro era o fim dessa história, a minha história, que, por anos e anos, não tem fim!

* No começo de tudo,  na infância, os professores são Tios e Tias…
Agora, na “última” etapa do ensino, são “iguais” e os tratamos pelos nomes!

Eles, humildes, nos tratam como doutores ou colegas!

Mas algo continua da mesma forma que antes… ainda se culpam pelo fracasso do aluno!

OBRIGADO POR TUDO, PROFESSORES (MESTRES)!